LEANDRO LUNA


TEATRO

05/08/2012 05h00 - ATUALIZADA EM: 06/08/2012 12h29 - POR JONATHAN PEREIRA; FOTOS LUCIANO SANTOS/TALENTMIX

Leandro Luna se transforma para viver drag queen em "Priscilla"

Ator passa por uma hora de caracterização para o musical, em cartaz em São Paulo

Leandro Luna chegando ao teatro e caracterizado como a personagem Miss Segura (Foto:  Luciano Santos/TalentMix)

Leandro Luna passa por uma transformação de quinta a domingo, desde que entrou para o elenco do musical “Priscilla – A Rainha do Deserto”, em cartaz até o fim do ano no teatro Bradesco, em São Paulo. O ator, de 29 anos, dá vida à drag queen Miss Segura, que abre o espetáculo. Para ficar irreconhecível diante do público, ele passa por 1h de caracterização antes de entrar no palco.

“Tenho que fazer a barba todos os dias, ela é muito serrada. Fico praticamente um ‘Swarovski’ em cena”, brinca ele, que acumula outros seis musicais no currículo. Nesta entrevista a QUEM, Leandro conta como conquistou a vaga no espetáculo, detalha o processo de transformação para a personagem, fala da amizade com o diretor Wolf Maya e critica a falta de estrutura dos teatros brasileiros para abrigar grandes produções:

QUEM: Como é o processo de caracterização da Miss Segura?
LEANDRO LUNA: Tenho que fazer a barba todos os dias antes da peça, ela é muito serrada. Os maquiadores passam Pan Stick na pele inteira, para ficar homogênea, e pó translúcido, para começar a pintura. Tapam toda a sobrancelha para criar outra em cima da minha, depois aplicam branco na parte de cima dos olhos. Desenham a boca, afinam o nariz e passam blush na lateral do rosto; aí é hora do batom e por fim o glitter, na boca inteira e na sobrancelha, e um mais fininho e delicado nas laterais do olho. Fico praticamente um ‘Swarovski’ em cena (risos).

Leandro precisa fazer a barba todos os dias quando tem apresentação (Foto: Luciano Santos/Talentmix)

QUEM: Como começou a carreira?

LL: Sempre tive veia artística, meu pai pedia para eu dançar e cantar para os amigos dele. Demorei a me profissionalizar, estava dividido entre trabalhar com a família e estudar Comércio Exterior. Passei em um teste para fazer Jesus na Paixão de Cristo em São Bernardo do Campo (SP). Transferi meu curso para Rádio e TV, me formei e continuei trabalhando como ator. Fui da primeira turma da Escola de Atores Wolf Maya. Enquanto fazia outros espetáculos, participei de um workshop para musical com a (coreógrafa) Fernanda Chamma, e então fiz musicais como “O Cravo e a Rosa” e “Meu Amigo, Charlie Brown”, que ganharam prêmios, além de “Rockshow” e “Ah… se eu fosse Bob Fosse”.

QUEM: E o processo para conseguir o papel em “Priscilla”?
LL: Passei por uma seleção rigorosa, mais de 5 mil candidatos. Não conhecia o musical, que ainda estava em cartaz na Broadway. Em dois dias tive de chegar com a música decorada e a cena pronta. Vi que Miss Segura cantava Tina Tunner e o ator que a interpretava era negro. No teste, os quatro que competiam comigo eram negros, então pensei que já tinha perdido o papel. Mas deu tudo certo, a banca australiana (responsável pela seleção) dava muita risada.

QUEM: A preparação foi difícil?
LL: Estudei para chegar ao máximo da perfeição. Vi drags famosas no Youtube e peguei referências de amigos gays. É um mega desafio: voz, corpo, gesto, mudo completamente. Os amigos que assistem não me reconhecem e ficam surpresos, acham que é uma verdadeira drag no palco (risos). No começo, fazia depilação no corpo, mas dói muito. Agora tiro com a máquina ou gilete, pois no futuro posso precisar dos pelos para interpretar outros papéis, como um mecânico machão, por exemplo.

O processo de caracterização começa pelo rosto e sobrancelhas (Foto: Luciano Santos/Talentmix)

QUEM: Era fã de Tina Tunner?

LL: Nunca fui fã dela, a conhecia de um comercial de tênis. Peguei movimentos dela engraçados para as pessoas reconhecerem, quem conhece a Tina vai querer ver se condiz. Tem fãs que dizem que o cabelo e o movimento da perna que faço são iguais.

QUEM: Houve preparação vocal?

LL: Nunca fiz aula de canto, aprendi atuando em musical, um atrás do outro. Cada diretor me ensinou muita coisa, diziam que eu tinha todos os dons naturais. Fui aprendendo na prática. 

QUEM: O que sua família achou de vê-lo travestido no palco?

LL: Eu tinha um receio com minha família. O vestido da Miss Segura é na metade da bunda, então estava mais preocupado em meu pai ver minha bunda que interpretar uma Drag Queen (risos). Meu pai achou o máximo, uma oportunidade de fazer algo diferente. Meus irmãos e meus sobrinhos também me apoiaram. 

QUEM: É díficil se equilibrar no salto?
LL: Tive de aprender a andar com 12 cm de plataforma.  No começo dos ensaios estava tranqüilo, depois da primeira semana comprei anéis de gel para por nos dedos. Na outra semana não podia por o pé no chão (risos).

O ator (Foto: Luciano Santos/Talentmix)

QUEM: Depois da Miss Segura, você interpreta 13 personagens...

LL: Assim que termino de cantar tenho que tirar tudo, pois meu próximo personagem é um cowboy. Na coxia pego o demaquilante e estrago todo o trabalho do maquiador. Faço também uma garçonete, um cupcake, um pincel... A Miss Segura entra no final para encerrar o show, entro de flor, em homenagem a flora e fauna da Austrália.

QUEM: Esperava esse sucesso em “Priscilla”?
LL: Não. Quando li o texto, pensei, ‘o personagem é bem pequeno, vou ter que tirar leite de pedra’. Mas se existe o personagem é possível fazer ele aparecer. Como é um número de plateia, a equipe criativa do exterior deixou um pouco mais livre, não precisava repetir as piadas do país original, pois as pessoas não iriam entender. Estar no palco para 1500 pessoas, para mim, é como estar em um estádio de futebol.

QUEM: O que acha da onda de musicais no Brasil?
LL: Muito bacana! A única coisa que fico triste é que não tem teatro para nos apresentarmos, precisa de uma estrutura técnica. 'Priscilla' tem 27 atores, uma camareira para cada 2, maquinistas, contrarregras, peruqueiras, são mais de 100 pessoas trabalhando. Os teatros precisam ter uma boa estrutura, e não têm. E não param de chegar musicais. Vão vir outros do mesmo porte de 'Priscilla'. Algo precisa ser feito. Hoje a gente consegue patrocínio e bons produtores, mas não consegue bons teatros para se apresentar.

Como Miss Segura, cantando Tina Tunner no palco (Foto: Luciano Santos/Talentmix)

QUEM: Você fez o curso do Wolf Maya. Como é seu contato com ele?

LL: Cheguei a gravar o piloto da série "Barra Funda", que seria dirigida por ele, para a Globo, com a Nair Bello e a Tania Khalill no elenco, mas acabou engavetado. Tenho menos contato com o Wolf, ele ainda não me viu em 'Priscilla', mas mantemos. Já passei o Réveillon na casa dele, temos uma relação muito bacana. Ele é um professor, um mestre, me possibilitou entrar nesse mercado. Não vejo a hora de trabalhar com ele de novo.

QUEM: Tem vontade de fazer TV? 
LL: O teatro tem me proporcionando retorno financeiro. Faço cinema, acabei de protagonizar um longa que vai ser lançado no ano que vem, com participação de Denise Fraga. Sou 'multiartista'. TV tenho vontade de fazer. Se eu pudesse produzir uma novela, faria só pra eu fazer (risos).



Escrito por Leandro Luna às 08h55
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